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O I
Ching, ou Livro das Transmutações, é um texto de sabedoria incomparável. De
origem chinesa, ele integra o restrito grupo de livros que constituem o mais elevado
nível do patrimônio espiritual da humanidade. Mas esse Livro tem um diferencial
notável: é utilizado, desde a Antigüidade, como oráculo e orientação para os mais
variados assuntos que desafiam o cotidiano dos homens.
O I Ching nos ajuda a esclarecer até as menores questões práticas, porém, sua
função mais nobre - como fonte inesgotável de ensinamentos - é a de nos despertar e
guiar na busca do conhecimento superior. Seu nome, Livro das
Transmutações ou das Mutações, ou ainda das Transformações, já indica que seu conteúdo contém as
leis fundamentais dos movimentos cósmicos, nos quais se incluem a vida e o destino dos
homens.
O I Ching é também portador do segredo da longevidade. Seus símbolos básicos, tirados
da própria natureza - céu e terra, fogo e água, lago e vento, montanha e trovão - são
facilmente transmitidos através das gerações e tornam-se mais compreensíveis quando
traduzidos para outras línguas.
O Livro está constituído essencialmente de 64 conjuntos de símbolos, que revelam
detalhadamente as 64 etapas dos ciclos universais, tais como os santos sábios observaram
no céu e na terra. Traduzidos genericamente por hexagramas, cada um desses conjuntos ou
seções contém os seguintes elementos:
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· o ideograma,
isto é, a escrita do nome chinês, por si só repleto de significados simbólicos. O
exemplo ao lado é Tai, o nome do Hexagrama 11, que se traduz por Paz. |
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· o hexagrama
propriamente dito, que é a representação abstrata, geométrica, de cada estágio de
transmutação. Recebeu esse nome, nas línguas européias, por ser constituído de 6
linhas. Ao lado o Hexagrama 37 - A Família. |
· o texto, também chamado julgamento ou oráculo, que
revela em linguagem simbólica o significado do hexagrama. Cada julgamento vem acompanhado
de comentários e interpretações
que ajudam a traduzir o ensinamento do texto.
· a imagem ou símbolo,
que consiste em um modelo de conduta, um verdadeiro conselho estratégico, para lidar com
a situação indicada pelo hexagrama.
· o texto das linhas, em número de seis, que indicam as
alternativas de transformação das condições retratadas no hexagrama.
Nota sobre o Nome:
I Ching é a grafia corrente no Brasil. Aparece também Yi King em algumas transliterações francesas e inglesas.
No entanto, a melhor grafia seria Yìjïng, segundo a
transcrição oficial chinesa, denominada Pinyin, que é utilizada atualmente pela
ONU, UNESCO e demais organismos internacionais.
A História do Livro
O I Ching é considerado o mais antigo livro
da China. Sua origem, ou pelo menos a de seus oito símbolos fundamentais, denominados
trigramas, é atribuída a Fu Xi, que teria vivido por volta de 5500 anos antes de Cristo,
para alguns, ou 2850 a.C., para outros. É pela combinação dos 8 trigramas que se formam
os 64 hexagramas, portadores do corpo de ensinamentos do Livro.
Fu Xi, esse lendário imperador, também é representado como um deus-montanha. A fonte
inspiradora do Livro remonta à Era de Ouro da humanidade, durante a qual se diz que os
guias e instrutores bebiam direto da fonte da consciência.
O segundo personagem ligado ao I Ching é o Rei Wen, fundador da Dinastia Chou
(1121-256 a.C.), a quem se atribui a autoria dos 64 Julgamentos, ou seja, os textos
que explicam os hexagramas. Decorridos 4400 anos desde os tempos de Fu Xi, e estando mais
afastados da fonte, mesmo os buscadores do conhecimento tinham necessidade de maiores
ajudas e orientações para compreender os símbolos primordiais que começavam a parecer
herméticos.
Ao Duque Chou, filho do Rei Wen, são atribuídos os textos das 6 linhas de cada um dos
64 hexagramas, num total de 384 "Julgamentos das linhas". Com ele
completaram-se os textos tradicionais do Livro, que hoje contam mais de 3000 anos.
Finalmente, coube a Confúcio (551-479 a.C.) dar ao I Ching a feição que conhecemos
modernamente. Seus comentários, registrados em 7 obras, boa parte das quais agregadas ao
corpo do próprio Livro, facilitam a aproximação aos ensinamentos esotéricos dessa
corrente de transmissão espiritual .
O contato do mundo ocidental com o I Ching se estabelece a partir do final do século
XVII, através dos relatos dos jesuítas que residiam na corte de Pequim. A primeira
tradução completa do livro para o latim, feita pelo Padre Regis, surgiria apenas em
1834. No final do século XIX outras duas versões, de Legge e Filastro, ampliam a
divulgação do livro na Europa.
Atualmente, a mais respeitada versão ocidental do I Ching é a feita por Richard
Wilhelm, um pastor protestante que viveu muitos anos na China. Feita de início para o
alemão, foi a seguir traduzida para praticamente todas as línguas ocidentais. As
principais publicações disponíveis em português são apresentadas na Bibliografia.
É um acontecimento extraordinário que religiosos católicos e protestantes tenham
reconhecido a profundidade dos ensinamentos do I Ching e enfrentado todas as dificuldades
que trazem a tradução de um clássico chinês. Trata-se de mais uma evidência do poder
incomparável desse legado para a humanidade, que encontrou uma linguagem a tal ponto
universal, que não levanta reações de natureza religiosa nem obstáculos culturais
intransponíveis para tocar a alma de todos os seres que buscam qualidade.
Os Hexagramas
Hexagrama é o nome dado, nas versões
ocidentais, a cada um dos 64 símbolos que constituem o I Ching. É um símbolo abstrato,
mas que com o tempo vai se tornando compreensível. O hexagrama é formado por seis linhas
superpostas, contadas de baixo para cima, que podem ser inteiras ( ) ou partidas ( ).
Essa combinação de linhas inteiras e partidas tem uma característica notável:
constitui talvez a mais antiga estrutura simbólica a utilizar o sistema binário, que,
modernamente, é aplicada na linguagem dos computadores. A linha inteira, ou cheia,
, representaria o algarismo 1, a
passagem da corrente, o sim, o positivo, enquanto que a linha interrompida, ou quebrada,
, representaria o algarismo 0, a
interrupção da corrente, o não, o negativo.
O número máximo de combinações possíveis dos dois tipos de linhas em seis
posições é 64.
Na verdade, quando se estudam os 64 hexagramas não se parte da simples combinação
dos dois tipos de linha, mas sim de um arranjo ternário, denominado trigrama por ter três linhas. É a
partir desses símbolos básicos, oito no total, que se constroem os hexagramas (8 x 8 =
64)
As linhas
Nos trigramas e hexagramas do I Ching, as linhas inteiras,
, simbolizam as qualidades do chamado princípio
yang, ou seja, ativo, positivo, céu, homem, luminoso,
quente, firme. As linhas interrompidas,
, simbolizam o princípio yin, cujos
atributos são: receptivo, negativo, terra, mulher, sombrio, frio, maleável.
Tal como aparece descrito no Gênesis da tradição judaico-cristã, a criação
se faz por um processo de polarização, ou seja, de uma particular separação das
energias adormecidas sem forma no Caos primordial. E toda manifestação se processa
mediante a dança ou luta infindável entre as duas polaridades - yang e yin, positiva e
negativa, masculina e feminina, diurna e noturna, e assim por diante.
Esse jogo de forças está representado no conhecido símbolo chinês do Tai
Chi, no qual a parte branca simboliza a força criativa, masculina, ativa, yang, e a parte negra a força receptiva, feminina,
negativa, yin. Os dois pequenos círculos de cor oposta,
na porção mais larga de cada metade, revela que a intensificação máxima de um pólo
já traz o germe da forma oposta complementar. Nada permanece estático no mundo da
manifestação. Quando uma qualidade se intensifica, ela tende a se transformar (ou se
mover) em direção à qualidade oposta, gerando a eterna dança das polaridades.
Tal situação de intensidade que gera a mutação para a qualidade oposta é
representada, no caso do I Ching, pelas linhas móveis ou
linhas em mutação. Estas podem ser tanto yin quanto
yang. Uma linha yang móvel é representada por
, e uma linha yin móvel por
.
As duas forças primordiais do universo - o yang e o yin - estão sempre presentes, em
proporções variáveis, em todas as coisas existentes. Qualquer fenômeno ou
acontecimento contém essa polaridade fundamental, que vai se modificando no tempo e no
espaço. A própria vida resulta do jogo dessas forças em permanente processo de
transformação.
Os santos sábios que promoveram as civilizações humanas compreenderam as leis da
transmutação que atuam igualmente no céu, na terra e no homem. É por isso que eles
podiam prever os acontecimentos e agir de modo adequado, no momento oportuno. Eles são
exemplos e modelos para o nosso esforço evolutivo.
Os Trigramas
Os oito trigramas - os símbolos formados por três linhas - são os
componentes básicos dos hexagramas. É a partir de seus atributos que se deduzem o
sentido e os diferentes significados de cada um dos 64 hexagramas.
Os trigramas não são considerados apenas para traduzir o conteúdo dos hexagramas. Os
mestres chineses são hábeis para compreender os ciclos e deduzir seus aconselhamentos a
partir de diferentes distribuições circulares dos oito trigramas.
Nomes e alguns exemplos de atributos de cada trigrama
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Céu. Criador, forte. É
espacial, invisível e ilimitado.
Representa o pai. Parte do corpo: cabeça. Símbolo animal: cavalo. span> |
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Terra. Receptivo, maleável,
dedicado. É formal, visível e limitado.
Representa a mãe. Parte do corpo: ventre. Animal: vaca. span> |
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Montanha. Quietude. É o
concreto, o sólido e acumulação sólida.
Representa o filho mais novo. Parte do corpo: mão. Animal: cão. span> |
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Lago. Alegria, jovialidade.
É a incógnita, a acumulação líquida.
Representa a filha mais nova. Parte do corpo: boca. Animal: carneiro. span> |
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Trovão. O que desperta e
movimenta. Desperta o mundo interior.
Representa o filho mais velho. Parte do corpo: pé. Animal: dragão.
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Vento. Madeira, suave,
penetrante. Desperta o movimento exterior.
Representa a filha mais velha. Parte do corpo: coxa. Animal: galo.
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Fogo. Sol. Luminoso,
aderente. É o impulso ascendente.
Representa a filha do meio. Parte do corpo: olho. Animal: faisão.
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Água. Nuvens, abismo,
perigo. É o impulso descendente.
Representa o filho do meio. Parte do corpo: ouvido. Animal: porco.
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Formulação das perguntas
O I Ching é a representação viva e generosa do Velho Sábio, ao qual podemos
recorrer sempre que necessitarmos. Não cabe diante dele qualquer sentimento de apreensão
ou de respeito exagerado, que acabariam nos afastando e nos privando de sua boa
influência. Para esse mestre compassivo e justo, qualquer interrogação, mesmo a de
aparência mais banal, terá boa acolhida se for sincera.
Embora seja uma grande fonte de ensinamentos e de conselhos estratégicos, o I Ching é
principalmente utilizado por sua função oracular.
Como a linguagem do livro é simbólica, suas respostas às nossas perguntas deverão
ser interpretadas em função do assunto que estamos tratando. Muitos iniciantes sentem
dificuldade para entender a reposta porque viciam a consulta com perguntas tipo "sim
ou não". Na verdade, na maior parte das vezes a resposta do oráculo consiste mais
em orientar o consulente para chegar a um bom resultado, e não simplesmente em responder
com um sim ou não. Uma pessoa, por exemplo, pode estar doente e, nesse caso, a resposta
mais útil para uma pergunta sobre saúde será a orientação para encontrar a cura e
não apenas para confirmar, com um sim ou não, que de fato ela se encontra doente, o que
provavelmente ela já deve estar sabendo.
A postura mais eficaz para a consulta, portanto, é a de expor a questão da maneira
mais clara possível e pedir uma orientação ou prognóstico, de acordo com o que for
mais importante naquele determinado momento.
O I Ching não exige ritos ou complicações. É preferível imaginá-lo como um bom
e sábio avô que, sem formalidades, está antes de mais nada interessado em dar a melhor
ajuda possível.
Não existe, porém, qualquer contra-indicação para rituais, se isso fizer bem ao
consulente. Acender incenso, fazer orações ou meditação constituem para algumas
pessoas recursos benéficos para abrir a receptividade. É bom lembrar, porém, que as
forças de ajuda celeste estão sempre disponíveis. Elas não precisam ser seduzidas ou
compradas. O que estabelece uma conexão verdadeira é o nosso desejo de compreender a
situação.
As formas de sorteio
Para se obter do I Ching uma orientação específica, existem várias maneiras de
sortear o hexagrama que responderá à nossa questão. Alguns recorrem ao modo direto e
simples de abrir o Livro das Transmutações ao acaso, enquanto outros preferem um sistema
mais elaborado, que exige o manuseio de 50 varetas.
A forma mais comum utiliza três moedas para o sorteio. Que moedas usar? Quaisquer que
tivermos. Os chineses usam moedas chinesas porque são para eles as que se encontram à
mão. No Brasil, o simples e óbvio será utilizar as nossas moedas. Muitas pessoas,
porém, se confundem e deixam de consultar o livro porque não têm moedas chinesas. Não
devemos cair nesse equívoco. Se o mais importante, o texto, já é uma versão
brasileira, por que não as moedas?
Para sortear as respostas do I Ching, no entanto, faz sentido para muitas pessoas
guardar moedas exclusivas para isso, ou usar moedas que tenham alguma história pessoal,
porque podem ajudar a estabelecer um vínculo. Mas a criatividade poderá dar outras
soluções, como a utilização de medalhas ou moedas antigas.
Todas as possibilidades de sorteio funcionam bem. O I Ching, tal como os textos
sagrados, está acima das formalidades.
O sorteio é simples: lançamos as três moedas 6 vezes, uma vez para cada linha. As
linhas sorteadas são yin ou yang,
dependendo das combinações de cara e coroa das moedas.
O
sorteio com moedas
Explicar por escrito é sempre mais complicado que demonstrar. Com um pouco de
paciência, porém, seguindo passo a passo as instruções, logo se aprende.
Como o hexagrama tem seis linhas, é preciso lançar seis vezes as três moedas
escolhidas para o sorteio.
Em primeiro lugar precisamos convencionar com clareza qual é a cara e qual é a coroa
das moedas, ou seja, qual é a face yang e qual a yin. Como sugestão, vamos
considerar que a face na qual está cunhado o valor da moeda, a cara, é o lado yin. A face
com o brasão ou qualquer outro elemento decorativo, a coroa,
é o lado yang.
Podemos também acolher a explicação de Blofeld, que considera a face com o valor
inscrito como sendo yin (2), porque o yin é receptivo, isto é, "recebe e grava a cunhagem
do valor", enquanto que a outra face, que em muitas moedas antigas era lisa,
representa o yang (3).
O consulente, com as três moedas na mão, mantém em mente o assunto para o qual
deseja obter orientação. A seguir, lança as três moedas ao mesmo tempo. A primeira
jogada revela a linha inferior do hexagrama; a segunda jogada indica a segunda linha de
baixo para cima e, assim por diante, até a sexta e última jogada, que indica a última
linha superior.
Há quatro combinações possíveis de coroa-yang e cara-yin nos
lançamentos das três moedas, e cada uma delas indica um tipo de linha, como pode ser
visto na tabela que se segue:
Tabela
das moedas
Na tabela, a cara da moeda está representada pelo valor 50, e a coroa pelo desenho. O
lado com o valor inscrito é yin; o lado com o desenho é
yang.
|
 |
1 yin e 2 yang =
linha yin, em repouso, valor
8 |
|
 |
2 yin e 1 yang =
linha yang, em repouso, valor
7 |
|
 |
3 yin =
linha yin móvel, valor 6 |
|
 |
3 yang =
linha yang móvel, valor 9 |
Cada linha também pode ser designada por um número específico, que se obtém pela
soma dos valores atribuídos às faces yin e yang da moeda. O lado yin vale 2 e o lado yang vale 3.
Exemplo: se saírem duas moedas com a face yang e uma com a face yin,
somaremos 3 + 3 + 2 = 8. Isso quer dizer que obtivemos uma linha 8, ou seja, uma linha yin
em repouso, ou estática,
.
Não precisamos nos preocupar inicialmente com esses valores. Eles estão sendo
mencionados porque, nos livros, as linhas são indicadas; por exemplo: "9 na primeira
posição", "6 na quarta posição" e assim por diante.
Exemplo
de um sorteio
Para facilitar a compreensão, vamos imaginar um sorteio em que as moedas deram os
seguintes resultados:
|
6ª linha: |
3 yang |
=
|
 |
|
5ª linha: |
2 yang, 1 yin |
=
|
 |
|
4ª linha: |
2 yang, 1 yin |
=
|
 |
|
3ª linha: |
1 yang, 2 yin |
=
|
 |
|
2ª linha: |
1 yang, 2 yin |
=
|
 |
|
1ª linha: |
2 yang, 1 yin |
=
|
 |
Esse hexagrama é formado pelos seguintes trigramas:
o trigrama
Vento (as três linhas inferiores)
e o
trigrama Montanha (as três linhas superiores).
Para encontrar no I Ching o texto correspondente a esse símbolo, basta procurar, na
Tabela a seguir, o número do hexagrama sorteado, ou seja, o número de ordem em que se
encontra no Livro.
Procure o trigrama inferior na coluna à esquerda (o 6º de cima para baixo, no
exemplo), e o trigrama superior na fila de cima da Tabela (o 4º da esquerda para a
direita, no exemplo); no cruzamento da coluna com a linha está o número do hexagrama
procurado (no nosso caso, o 18).
Tabela
dos hexagramas
|
Superior W
Rs Inferior |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
 |
|
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1 |
34 |
5 |
26 |
11 |
9 |
14 |
43 |
|
 |
25 |
51 |
3 |
27 |
24 |
42 |
21 |
17 |
|
 |
6 |
40 |
29 |
4 |
7 |
59 |
64 |
47 |
|
 |
33 |
62 |
39 |
52 |
15 |
53 |
56 |
31 |
|
 |
12 |
16 |
8 |
23 |
2 |
20 |
35 |
45 |
|
 |
44 |
32 |
48 |
18 |
46 |
57 |
50 |
28 |
|
 |
13 |
55 |
63 |
22 |
36 |
37 |
30 |
49 |
|
 |
10 |
54 |
60 |
41 |
19 |
61 |
38 |
58 |
A leitura
Caso não ocorram linhas móveis durante o sorteio, os textos do hexagrama obtido
(Julgamento, Comentários e Imagem) contêm todos os elementos para orientar a questão
formulada.
No caso de saírem linhas móveis, deve ser traçado um segundo hexagrama resultante da
mutação destas linhas. A linha yang móvel,
, transforma-se numa yin em repouso,
, e a linha yin móvel,
, numa yang em repouso,
.
Em nosso exemplo, só a sexta linha é móvel, fazendo com que o hexagrama 18
dê origem ao 46.
Quando existem linhas móveis, além da leitura do Julgamento e Imagem do hexagrama
inicial, devemos ler também os textos referentes a essas linhas móveis (que no nosso
exemplo seria a sexta linha do hexagrama 18) e, a seguir, completar com a leitura do
Julgamento, Comentários e Imagem do hexagrama final (46, no exemplo). Deste último, por
ser a conclusão e não ter mais linhas móveis, não precisaremos ler os textos
referentes às linhas.
O conjunto desses textos representa a resposta do I Ching ao consulente.
A Interpretação
Quanto mais utilizamos o I Ching, para nós próprios ou ajudando outras pessoas, tanto
mais rápido compreendemos as respostas e confiamos nelas. A convivência é a via mais
eficaz para a aprendizagem e serve para demonstrar na prática o poder magnífico do
Livro.
Uma dúvida muito comum entre os iniciantes, quando interessados em previsões,
refere-se ao tempo em que ocorrerão os prognósticos
dados pelo Livro. De um modo geral, podemos considerar que existe uma seqüência temporal
que começa com o hexagrama inicial, passa pelas linhas móveis e conclui com o hexagrama
final.
Com um pouco de prática, e à medida que deixamos bem clara a pergunta para nós
próprios, aprendemos a identificar qual passagem dos textos se refere ao nosso presente.
Não existe uma regra fixa para isso: às vezes, o presente é retratado pelo hexagrama
inicial, enquanto que o futuro fica indicado pelas linhas móveis e pelo hexagrama final.
Outras vezes, no entanto, poderemos reconhecer que o hexagrama inicial e as linhas falam
dos antecedentes de nossa questão e que o hexagrama final retrata o presente ou o futuro
imediato.
Bibliografia
1. Richard Wilhelm. I Ching,
o Livro das Mutações. Ed. Pensamento.
É considerada a melhor versão do texto chinês, feita
originalmente para o alemão. Tem mais de 500 páginas; a parte essencial para consultas,
no entanto, está entre as páginas 29 e 196, e apresenta todos os hexagramas.
Livro indispensável para quem quiser conhecer a fundo a
simbologia do I Ching.
Para o iniciante, a dificuldade está em encontrar, no meio do
livro, as instruções para sorteio.
2. John Blofeld. I Ching, o
Livro das Transmutações. Ed. Record.
Tradução simplificada, cujo valor principal está na
introdução acessível e didática para utilização do livro. A apresentação da
edição brasileira traz uma visão geral dos princípios yin-yang, que pode ser muito
útil aos iniciantes.
Tome cuidado com um ponto: a tabela de sorteio com moedas, na
página 75, está incorreta.
3. Carol Anthony. O Guia do I
Ching. Rio de Janeiro, Ed. Nova Fronteira.
Um bom livro de estudo de cada hexagrama, que discute a
compreensão dos significados práticos dos símbolos e imagens do texto traduzido por
Wilhelm.
4. Wu Jyh Cheng. I Ching, a
Alquimia dos Números. Editora Objetiva.
Livro que estuda elementos simbólicos do I Ching sob vários
ângulos, inclusive o numerológico. Seu autor, radicado no Rio Janeiro, traduziu material
diretamente do chinês para o português e dá uma ótima contribuição para os estudos
do Livro.
Não está voltado para o iniciante que quer aprender a utilizar o
I Ching como oráculo, mas é indispensável aos estudiosos brasileiros.
5. Richard Wilhelm. A
Sabedoria do I Ching. Mutação e Permanência. Ed. Pensamento.
Estudo do próprio tradutor do I Ching ao alemão, que trata dos
princípios filosóficos do Livro.
6. James Legge. I Ching, o
Livro das Mutações. Hemus, Livraria Editora
Uma tradução clássica, que ajuda os estudiosos a encontrarem
alternativas dos significados dos hexagramas. Sua leitura, entretanto, é muito confusa
para os iniciantes.
7. Pe. Joaquim A. de Jesus Guerra. O Livro das Mutações (Yeg Keq). Macau, Jesuítas
Portugueses, 1984.
Apresenta a mesma dificuldade de leitura que a tradução de
Legge, agravada pela edição mal cuidada. Pode ser muito útil, contudo, para o estudioso
examinar outras possibilidades de compreensão do original chinês.
Associação Pak Shao Lin de Kung Fu
www.pakshaolin.org |